Eu começo o texto explicando que, talvez, o termo “leitura” do território não seja o mais adequado, mas é uma alusão muito didática, pois assim como a leitura de um texto envolve conhecer as letras, a gramática e a semântica, a análise socioterritorial também exige desenvolver certas habilidades de interpretação de texto. Isto é, precisamos não apenas conhecer o território onde queremos atuar, mas também interpretá-lo da forma mais correta, para então propor mudanças por meio de políticas públicas.

Outra ressalva é quanto ao termo “políticas públicas”, que são conjuntos de programas, ações e atividades com um objetivo claro, angariadas pelo poder público. A prática de elaborar estudos, análises e diagnósticos sociais voltados a uma atuação efetiva junto ao território são essenciais ao poder público, mas também serve a outros atores, sejam organizações sociais, empresas, ou qualquer grupo de pessoas, independente do status, que queiram melhorar um local e a vida das pessoas.

Assim, para ler as dinâmicas das pessoas que habitam ou frequentam um território, necessita conhecer técnicas e ferramentas e desenvolver algumas habilidades. Existem pessoas que possuem maior sensibilidade para captar as dinâmicas sociais e propor ações estratégicas, fazem isto de forma intuitiva. Mas é possível aprender a ler estes sinais, com estudo e trabalhos práticos, aprimorando nosso poder de interpretação e análise. Existem muitas metodologias para estudos e elaboração de diagnósticos, mas nenhum manual que dirá exatamente o que se deve fazer, ou o que se deve  saber para uma boa análise, tudo depende da situação e do que se pretende estudar.

No entanto, será de muita ajuda aprender a: interpretar de indicadores sociais, ler mapas e gráficos, técnicas para trabalho de campo, coordenar análises participativas e expressar suas na forma de um trabalho técnico, ou estudo acadêmico. Certamente parece um longo caminho, mas muitas destas técnicas se aprende na fusão entre o estudo e a pratica.

O primeiro passo para se elaborar uma análise social sobre determinado território ou público é captando as informações disponíveis, seguido da interpretadão dos dados obtidos. Os dados primários são aqueles captados de forma direta, pela pessoa ou equipe que está realizando o estudo, por meio de pesquisas de documentos, assim como em campo, por meio de questionários, entrevistas, reuniões, observação, registros fotográficos ou conversas abertas. Já os dados secundários, são as informações captadas por instituições ou pesquisas de campo, são os dados disponíveis nos órgão estatísticos, nos estudos acadêmicos, nos órgão públicos, etc. Outra forma de se captar dados também são trabalhos bibliográficos, isto é, levantando os resultados de estudos feitos por outras pessoas (por terceiros),  apropriando-se do resultado de obtido por outros estudos, complementando ou problematizando a leitura feita por outros(*). Um estudo completo envolve estes três tipos de dados, mas não necessariamente.

Desta forma, sugerimos alguns textos e vídeos para quem está começando pela primeira vez um estudo sobre determinado público ou território e quer captar dados.

Algumas fontes de dados secundários:

  1. As fontes oficiais de indicadores sociais _ os institutos de pesquisa e estatística.
  1. As fontes oficiais de indicadores sociais _ as instituições setoriais com fins específicos.
  1. As fontes oficiais de indicadores sociais _ bases de dados dos ministérios federais e secretarias estaduais.
(*) Lembre-se que em qualquer trabalho técnico ou estudo é imprescindível que sejam citados todas as referências, tanto para credibilidade, como para evitar suspeitas de plágios. 
Anúncios