No campo das políticas públicas, os indicadores sociais são considerados medidas usadas para operacionalização de conceitos abstratos ou de uma demanda de interesse programático, isto é, uma medida que nos ajuda saber o que vai bem ou mal, o que fazer ou como corrigir problemas.

Os indicadores apontam, indicam, aproximam, traduzem em termos operacionais as dimensões sociais de interesse definidas a partir de escolhas teóricas ou políticas realizadas anteriormente. A relevância para a agenda político-social é a primeira e uma das propriedades fundamentais de que devem gozar os indicadores escolhidos em um sistema de formulação e avaliação de programas sociais específicos. (Januzzi, 2005)

Mas, como “ler” um indicador social?

Aos não iniciados no mundo dos dados estatísticos, dos indicadores, gráficos e outras ferramentas analíticas, não se assustem. A princípio, um número bruto, ou um percentual, uma taxa ou um índice, são modalidades de medidas e só saberemos se são grandes ou pequenos, quando comparados com outros. Sendo assim, sempre comparamos determinado dado com o mesmo dados de outros territórios ou de determinados períodos. Logicamente, dependendo dos dados é mais complexo do que isto, mas esta é uma regra simples para começar a interpretar indicadores sociais.

O exemplo abaixo, do percentual de pessoas com 60 anos ou mais, compara os municípios da região da Baixada Santistas, em São Paulo, entre si e com a média regional e estadual.

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Fonte: Fundação Seade, com base em dados do IBGE.

Como saber se um percentual pode ser considerado alto ou baixo?

Oras, depende do território ou da época que estamos falando. Por exemplo, Bertioga possui 9% de pessoas com idade igual ou maior que 60 anos, muito abaixo de Santos, com 21%. Para saber se estes percentuais estão dentro de um padrão, podemos compará-los com os demais municípios da região, ou com a média do conjunto, que representa 14%. Para ter certeza de que a Baixada Santista não é uma região “fora da curva”, isto é, para garantir que a região não é uma exceção em relação pessoas com 60 anos ou mais, também podemos comparar com a média estadual de 13%. Logo, devido esta simples comparação, podemos concluir que Bertioga possui realmente um percentual baixo de pessoas nesta faixa etária, enquanto o vizinho Santos, possui um percentual acima da média regional e estadual.

Muita vezes a elaboração de gráficos facilitam muito a visualização e a comparação dos indicadores:

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Fonte: Fundação Seade, com base em dados do IBGE.

No gráfico fica claro que a maioria dos municípios da Baixada Santista possuem percentuais elevados de pessoas nesta faixa etária, quando comparado com a média estadual. No entanto, Guarujá, Cubatão e Bertioga possuem percentuais mais baixos do que a média estadual, influenciando a média regional.

Estes dados, além de nos dar uma medida de grandeza, também são preciosos por possibilitar novas indagações sobre seu objeto de estudo. Mesmo que o seu interesse seja analisar um município em específico, percebemos aqui um fenômeno regional, onde alguns municípios parecem “atrair” mais as pessoas em faixas etárias mais elevadas do que outros. Enfim, isto não uma conclusão, mas uma hipótese que pode ser melhor explorada, acrescentando novos conhecimentos ao fenômeno.

Outra forma de comparar é por períodos, isto é, a evolução dos números, para compreender se aquilo significa um aumento ou uma redução. No caso do município de Santos, observamos que vem ocorrendo um crescimento sistemático da população idosa daquele território desde os anos 80:

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Fonte: Fundação Seade, com base em dados do IBGE.

No gráfico abaixo fica visível a evolução desta população. Este crescimento também é um dado muito rico para análises, pois abre novos caminhos para compreensão do fenômeno, nos fazendo indagar o que ocorreu ao longo do período. Por exemplo, o aumento do número de pessoas maiores que 60 anos, pode ser consequência do envelhecimento da população do território, somado a saída de pessoas jovens por motivos de desemprego, ou então, o fenômeno pode ser resultado da atração de pessoas em faixas etárias mais avanças, devido a estrutura saúde, lazer e cultura, assim como a qualidade de vida dos habitantes.

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Fonte: Fundação Seade, com base em dados do IBGE.

Mas cuidado, atentamos sempre para as fontes de dados, pois é  difícil comparar dados de uma fonte com dados de outra diferente. A fonte é onde os dados são captado e podem usar metodologias diferentes,  inviabilizando a comparação. Conheça mais sobre fontes de dados em:

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