Incrível a falta de sensibilidade e de bom gosto dos nossos tempos, nomeando certas atividades comuns e corriqueiras com palavrões de difícil compreensão. Em diversas politicas públicas, como as de assistência social, meio ambiente e habitação, vemos exaustivas menções ao termo “diagnóstico socioterritorial”, mas pouco se avança nesta prática que deveria ser um processo cotidiano. Ao contrário disso, vemos um procedimento tão importante para qualquer instituição pública ou privada, relegando as investigações para turistas do seu território.

 

O diagnóstico territorial é algo quase inerente a nós, acreditem, fazemos isto desde de os símios, quando passamos a viver em grupo, debatendo com o pessoal em busca de um canto bacana para ocupar. Hoje é muito diferente, somos muitos, produzimos muito, construímos e destruímos rapidamente. E por isto mesmo, criamos tantas ferramentas e métodos sofisticados para compreender os rumos, nosso e do nosso redor. Mas no final, a ideia é a mesma, juntar os camaradas e bater um papo reto, trocar umas ideias, e por fim, combinar um modo de viver naquele ambiente.

Assim, partimos do ponto de que uma reunião, a junção de pessoas que trabalham com objetivos comuns, ou convivem em um determinado local, conversando entre si sobre um tema, pautados em informações relevantes e de boa procedência, já é o suficiente para um rico diagnóstico participativo. Para isto não é necessário muitos recursos, apenas o básico: uma boa fonte de informações, pessoas com conhecimentos e experiências, um mediador que conheça um pouco do tema e saiba conduzir a consensos. Por fim, tudo é questão de conhecer alguns métodos, aprender usar certas ferramentas e desenvolver aos poucos as habilidades de trabalhar em equipe.

Para aprender a fazer análises sociais mais complexas, logicamente será necessário um conhecimento teórico maior sobre certos assuntos. Por exemplo, para um diagnóstico que busque compreender a fundo o crescente consumo precoce de substancias psicoativas, isto é, o uso de drogas entre jovens, ou ainda as origens da população de rua das metrópoles, será necessário investigar aspectos envolvam matérias como psicologia, sociologia, história, economia, entre outras, além de dados estatísticos precisos e muito georreferenciamento para entender os fenômenos.

Independente da complexidade do seu território, um bom diagnóstico socioterritorial pode ser elaborado por qualquer prefeitura municipal, independente do porte, órgão público, ou entidade privada prestadora de serviços. A articulação com outros setores e parcerias começam aí. Mesmo com uma equipe enxuta, sempre existe a possibilidade de traçar parcerias com universidades, pesquisadores, técnicos de outras áreas ou instituições, contribuem para melhorar a reflexão, assim como para a busca de soluções aos desafios resultantes do diagnóstico socioterritorial.

Portanto, mãos a obra.

 

Em outras postagens publicaremos algumas metodologias, técnicas, dicas e outras coisinhas mais…

Anúncios