A ideia de assistência social para os leigos no assunto é de que este campo se presta a ajudar os pobres e desvalidos, de forma aleatória, conforme a demanda. Pois muito se avançou desde os tempos em que a caridade era o único alento aos vulneráveis e desprotegidos da nossa sociedade.

Hoje isto não só é direito garantido, mas é Política Pública (com “P” maiúsculo!), muito debatida e bem desenhada. No Brasil, temos uma legislação e um sistema de proteção social bem esquematizado, mas ainda com muitos problemas e desafios operacionais a serem enfrentados. E aí, entra a vigilância socioassistencial.

 

 

Pois vamos do início. A assistência social funciona em três pilares fundamentais: a garantia de direitos, a proteção social e a vigilância socioassistencial. Se por um lado temos estabelecidas as ações para seguridade e proteção social, nos deparamos com um problema muito contemporâneo: a diversidade dos e a complexidade nossos problemas. Para se ter um exemplo desta complexidade, precisamos compreender que, além do nosso extenso território, temos a diversidade regional, que por sua vez possui peculiaridades locais, pois o que classificamos como urbano pode ser uma cidade do interior, litorânea, uma capital, uma metrópole, ou uma cidade pequena; o rural pode ser uma chácara, um sítio, uma fazensa, agronegócio, vila, uma aldeia indígena, um assentamento de famílias sem-terra, e por aí vai.

Cada uma destas características pede formas de ação e proteções específicas.  Assim, mesmo existindo serviços e benefícios socioassistenciais para atender a população em estados de risco ou vulnerabilidade social, se não conhecermos o território e a comunidade, nunca saberemos como agir.

Para exemplificar, pense num destes extintores de incêndio que temos nos edifícios. Todos se prestam a apagar fogo, mas um é para líquidos inflamáveis e elétricos e outro é para papel e madeira. Caso a gente troque os extintores, não vamos atingir a finalidade daquele instrumento. Assim também funciona com as políticas sociais, por melhor que sejam, temos que saber onde e como investir os recursos e esforços.

Neste contexto eu apresento a vigilância socioassistencial; uma área desenvolvida com intuito de criar meios técnicos para tomadas de decisão, ao aprimoramento das ações de assistência e desenvolvimento social. Logo, a vigilância estabelece todos os parâmetros para o planejamento das instâncias de governo federal, estadual, municipal, assim como para os centros de referência da assistência social (CRAS, CREAS e Centro Pop) e dá diretrizes para toda a rede de proteção social.

Nas próximas postagens vamos apresentar metodologias, dicas e informações para quem quer entender a área, tanto em seus conceitos, como na operacionalização, isto é, vamos por tudo isto em prática?

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